Quicksilver Messenger Service

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No mundo dos verdadeiros amantes do rock clássico, a importância de uma banda é medida através das lendas, reais ou quase reais, e histórias que ela arremata ao longo de sua trajetória. Histórias interessantes para contar é o que o QMS mais tem de sobra.
O início da trajetória dos caras já é pra lá de interessante: em 1965, o QMS já era um dos grandes nomes da cena da Bay Area de São Francisco, graças principalmente a competência dos líderes do grupo, o super guitarrista John Cipollina e o folk idol Dino Valenti. Ao lado da dupla estavam Jim Murray nos vocais, Gary Duncan guitarra, David Freiberg no baixo e Greg Elmore na bateria.

Apesar desse reconhecimento todo, o QMS foi a última banda da Bay Area a descolar um contrato e gravar um álbum, que só veio mesmo em dezembro de 1967. As bandas conterrâneas do QMS se mandaram para Los Angeles, onde chamavam a atenção da mídia e dos entusiastas do crescente movimento hippie. Já o grupo de Cipollina e Valenti se escondia nas montanhas de São Francisco – viviam em comunidade num rancho, vestiam-se como cowboys e quando o assunto era Grateful Dead, saiam atirando de verdade pelo rancho.

Recusando as mesmas ofertas oferecidas pelas gravadoras que contrataram o Jefferson Airplane e o próprio Grateful Dead, o QMS não esquentou a cuca e foi aprimorando sua presença de palco e apimentando cada vez mais suas longas jams, o que só fazia aumentar o número de seguidores fiéis do grupo e a fama de ‘ratos de palco’.

Quem conseguiu entortar o grupo foi a Capitol, que ofereceu uma oferta irrecusável no segundo semestre de 1967 e selecionou a dedo, Harvey Brooks e Nick Gravenites – ambos integrantes do Electric Flag, para produzir a estréia da banda, gravada em esparsas sessões baratas de estúdio. A única exigência do grupo foi uma mesa de oito canais, rapidamente providenciada, porém também rapidamente descartada. Dino Valenti não participou do debut, pois estava preso em Alcatraz, amargurando cana por posse de quantidade cavalar de drogas. Apesar de estar longe, Valenti deixou sua marca registrada no disco, “Dino’s Song”, uma de suas principais composições e faixa que se tornou um dos hinos do Monterey Pop Festival.

Infelizmente, o álbum não rendeu nenhum single de sucesso, não causou nenhum impacto nas paradas e recebeu reação muda da crítica, talvez pela predominância de duas longas e meticulosas incursões ácidas, “Gold And Silver” e “The Fool”. A primeira, um bolero letárgico que servia de fundo para o ataque franco das guitarras e Cipollina e Duncan, e a segunda, um belo e misterioso tema de 12 minutos de duração, esbanjando feeling e feedback de guitarra, um clássico do west coast sound.

Texto de Bento Araújo (www.poeirazine.com.br)
Matéria inédita, não publicada em nenhuma edição impressa da pZ.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

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