Entrevista MICK BOX, o mago do Uriah Heep!

Essa entrevista eu fiz um pouco antes da banda subir ao palco aqui em SP, durante a última tour deles por aqui. Mick me recebeu com a maior simpatia do mundo e ficou contente quando eu confessei a ele que foi a minha mãe que me levou no meu primeiro show do Heep, em 1996, no Olympia aqui em SP, quando eles dividiram o palco com o Nazareth…Heep Rules!

Bento Araújo – A mídia especializada inglesa vem fazendo uma espécie de revival do rock Progressivo, colocando nas alturas bandas novas como Muse, Porcupine Tree e Mars Volta. Até bandas mais pesadas como o Iron Maiden estão sendo chamadas atualmente de prog-bands pela mídia inglesa. De que forma isso beneficia o Uriah Heep, já que de uns anos pra cá a banda também vendo sendo categorizada como progressiva.

Mick Box – O nosso foco sempre foi o Progressivo e o Classic Rock. De dez em dez anos a mídia tenta mudar esse foco, principalmente na cabeça das pessoas, mas nossos objetivos são sempre os mesmos. Nosso som é o som do povo, é o que as pessoas querem ouvir. Não tem nada como ver um casal de jovens namorados em nosso show gritarem e pedirem por uma música como “Gypsy”, que foi gravada há 36 anos atrás (risos)!

BA – Bandas como Jethro Tull e Deep Purple tem executado seus discos clássicos na integra em shows ao redor do mundo. Vocês chegaram a pensar na possibilidade de executar Demons and Wizards ou Magician’s Birhday na íntegra nos shows?

Mick Box – Muitas pessoas tem sugerido isso, principalmente nossos fãs mais ardorosos. Talvez repetir o que os outros já têm feito seja algo que me incomode, de qualquer forma, nós não podemos nunca descartar a hipótese. Quem sabe no futuro o Uriah Heep venha a fazer coisas do tipo…Se tocássemos um álbum na integra ele provavelmente seria o Demons And Wizards. No momento, nossa total prioridade é o novo álbum de estúdio.

BA – Jason Morris, o técnico da delegação norte-americana de judô, assumiu que é fãnzaço do Heep e que treina os atletas para as Olimpíadas ouvindo os clássicos da banda. Você um dia pensou que a música do Uriah Heep serviria de trilha sonora para lutas de judô?

Mick Box – É Fantástico! (risos) Quando você compõe uma canção, você nunca imagina que tipo de função essa música pode vir a ter no futuro. Já me disseram que a música “On The Rebound”, do nosso álbum Abominog, era perfeita para ser trilha de jogos de basquete (risos). Nossa música é emotiva, assim como as artes marciais, então o sentimento é o mesmo, talvez daí venha o interesse de Morris na nossa música.

BA – Mesmo há oito anos sem lançar um álbum de estúdio, a banda continua na estrada. Do ponto de vista pessoal, como compositor, como é ficar tanto tempo sem lançar nada inédito?

Mick Box – A principal razão é a falta de interesse das gravadoras. A Internet e os downloads de MP3 deram uma sacudida na maioria das gravadoras, que estão assustadas e completamente perdidas perante esses novos tempos. Elas (as gravadoras) precisarão se reinventar e arrumar uma nova forma de continuar se mantendo no mercado. É realmente difícil achar uma gravadora que acredite no nosso trabalho. No entanto, estamos com algumas canções já prontas e outras estão sendo compostas agora, na estrada, em nossas viagens. Em breve ensaiaremos essas novas canções, pra ver como elas soam no estúdio. Estamos também com três grandes produtores diferentes em mente. Escolheremos apenas um deles para produzir o novo álbum, provavelmente o que se encaixar mais na sonoridade dessas novas composições.

BA – Sem ter material novo para apresentar nos shows, você não está cansado de toda a noite tocar aquele show com cara de greatest hits?

Mick Box – De jeito nenhum. Adoro tocar as músicas antigas do Uriah Heep. Nunca iremos cansar de tocar os clássicos do Heep. Cada vez que a platéia reage positivamente a essas canções, nos sentimos revitalizados. É como se estivéssemos tocando a música pela primeira vez, um sentimento fantástico.

BA – Ken Hensley anunciou recentemente que irá abandonar os palcos. O Heep tem interesse em armar uma tour especial com Hensley em função dessa despedida? Tipo uma comemoração para os fãs terem a chance de ver pela última vez os duetos clássicos de Box e Hensley.

Mick Box – Não. Já estivemos envolvidos com Ken Hensley na época da Magician’s Birthday Party, portanto nossos fãs já estão bem satisfeitos e podem assistir o DVD da apresentação sempre que quiserem (risos). Seria uma situação completamente diferente se David Byron e Gary Thain estivessem vivos: nessas condições uma tour com todos esses ex-integrantes talvez parecesse algo interessante. Fora isso, não vejo nenhuma necessidade em chamar Hensley para alguns shows.

BA – Qual sua opinião sobre a biografia do Uriah Heep de autoria de Dave Ling, lançada recentemente no mercado internacional?

Mick Box – Devo te confessar que não li o livro na íntegra. Li apenas alguns trechos. É muito chato ler o que outra pessoa escreve sobre você (risos). Mas apesar disso, esse livro foi votado pela revista inglesa Classic Rock como um dos melhores livros do ano e provavelmente ele é uma boa leitura para nossos fãs.

BA – Você pensa em escrever seu próprio livro?

Mick Box – Eu penso sim em escrever um livro sobre a trajetória do Heep e sobre a minha própria trajetória, contando fatos da nossa vida na estrada, nosso estilo de vida roqueira, etc.

BA – Já passou pela sua cabeça gravar um disco solo totalmente instrumental?

Mick Box – Muitas vezes! Principalmente se for algo como uma trilha sonora para algum filme ou coisa parecida. É errada essa idéia de que um músico só pensa em música o dia inteiro. Eu particularmente tenho o lado do management da banda, família, um filho de cinco anos pra cuidar…Apesar de ser um cara muito ocupado, tenho certeza que farei esse álbum solo um dia. É só uma questão de tempo.

BA – Essa é a terceira vez que o Uriah Heep se apresenta no Brasil e sabemos que vocês curtem bastante tocar por aqui. O Brasil serviu, ou pode servir de inspiração para alguma composição da banda?

Mick Box – Não só o Brasil, mas também a Alemanha, a Escandinávia e todos os outros países (risos). Os shows e essas nossas viagens a países maravilhosos como o Brasil é o que mantém o Uriah Heep vivo. Nossa reputação como live band veio muito de nossas extensas tours e de nossos shows mundo afora. A cada tour conquistamos novos fãs e isso é importantíssimo.

BA – Em 1976, quando o Uriah Heep ficou sem vocalista após a demissão de David Byron, a banda testou vários vocalistas e um deles foi David Coverdale. Como foram essas audições e por que ele acabou não ficando com o posto de vocalista do Uriah Heep?

Mick Box – Na verdade, Coverdale não veio para uma audição na concepção da palavra, ele veio apenas para fazer uma jam conosco. Ele sempre foi um grande cantor e frontman. Tivemos uma bela noite: tocamos ótimas músicas e curtimos muito. Tomamos uma quantidade absurda de álcool (risos)…O que atrapalhou foi que exatamente naquela época ele teve a oportunidade de formar sua própria banda, que depois se tornou o Whitesnake, então ele acabou optando por esse caminho, o que lhe garantiu um tremendo sucesso posteriormente. No seu primeiro álbum solo, ele até nos convidou para participar das gravações, mas estávamos sempre muito atarefados e acabou não rolando. De qualquer forma, foi uma grande experiência tocar com David Coverdale naquela ocasião.

BA – As vocalizações do Uriah Heep serviram de influência para muitas bandas do rock pesado. Desde a onda Glam britânica do começo dos anos 70, com bandas como o Sweet e o Queen, passando pela NWOBHM dos anos 80 e pelo Metal Melódico dos anos 90. Na sua opinião, o Uriah Heep recebe crédito suficiente por essa toda essa influência?

Mick Box– No começo dos anos 70 nós fomos a primeira banda do rock pesado a utilizar as harmonias vocais como uma espécie de instrumento. Era algo muito poderoso, nossa marca registrada. Muitas bandas depois vieram utilizar esse mesmo conceito e isso é sensacional. Há muitos anos atrás, estávamos fazendo uma tour pela América e fomos convidados para participar de um programa de rádio, gravado ao vivo. No meio do bate papo e DJ nos deu parabéns pelo nosso novo single. Imediatamente eu respondi: ‘mas nós não temos nenhum novo single’. O DJ, espantando, falou: ‘ora, me refiro a este single’ e colocou “Run To The Hills” do Iron Maiden no ar (muitos risos)! Um outro DJ nos chamava de Beach Boys do Heavy Metal!

Entrevista realizada por Bento Araújo (www.poeirazine.com.br)
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

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One response to this post.

  1. Mick Box no Heep…Tony Iommy no Sabbath e Ian Paice no Purple. Unicos em milhares de formacoes…responsaveis diretos pela identidade desses gigantes do rock pesado.

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