Boomerang! – A Vibração do Hard

Boomerang - Front

No final do ano de 1969 estava tudo acabado para o Vanilla Fudge. Foi neste ano que eles lançaram o seu último álbum, Rock N’ Roll. Devido a crises internas e perda de território para a nova geração do hard americano (Grand Funk, Mountain, Bloodrock), o jeito era dar um tempo mesmo.

Os quatro integrantes, então,começaram a “mexer os pauzinhos” e montaram novos grupos e projetos para a promissora década que surgia. Carmine Appice e Tim Bogert formaram o Cactus junto com dois figuras carimbadas da cena roqueira da cidade dos motores, Jim McCarty (ex-Mitch Rider and the Detroit Wheels e Rusty Day (ex-Amboy Dukes). O guitarrista do Vanilla Fudge, Vinnie Martell chegou até a receber uma oferta para tocar com Jimi Hendrix, o que só não rolou porque Hendrix morreu antes. E o líder, tecladista e vocalista do Vanilla Fudge, Mark Stein, formou um combo para tocar Hard pesado, um estilo que era sua verdadeira paixão, sobre o nome de Boomerang.


O lance era competir com as novas bandas da América e também, quem sabe, até com as inglesas. Stein era muito influente na época e amigo do pessoal do Led Zeppelin (não é a toa que ele estava envolvido naquele mitológico episódio da orgia com peixes marinhos e groupies promovido pela banda inglesa).

Esses contatos de Stein renderam de cara um contrato com a RCA para o lançamento da estréia do Boomerang em 1971. O resto da banda consistia em Jo Casmir (baixo, vocais), Richard Ramirez (guitarra) e James Galluzi (bateria).

O estilo do grupo surpreendia logo de cara, com Stein e Casmir dividindo os vocais genialmente, técnica que seria “chupada” pelo Deep Purple em sua formação com David Coverdale e Glenn Hughes lá pelos idos de 1973 / 74. Basta ouvir o disco para confirmar a absurda semelhança das vozes.

O disco abre com a vigorosa e cavernosa “Juke It”, uma paulada com órgão e guitarra pra lá de pesados. O trabalho de guitarra de Ramirez (com apenas 16 anos de idade) é genial e chega a lembrar o mestre Jimmy Page por volta de 1968/69, ou seja Led I e II meu chapa! Quem curte o estilo Hard do início da década de 70 já começa a vibrar logo na primeira faixa. “Fisherman” vem na seqüência e traz um feeling agradável, típico das baladas da época. Aqui já pintam os duetos vocais de Stein e Casmir.

A próxima é “Hard Times”, que começa acústica e com vocais altíssimos (como Stein já fazia no Fudge). O arranjo e a linha de baixo surpreendem, assim como o solo de guitarra gravado de trás pra frente de Ramirez. O clima continua alto com “Mockingbird” (não confundir com aquela maravilha homônima do Barclay James Harvest), que você jura estar ouvindo Coverdale e Hughes na melhor fase. Inacreditável!

Em “Cynthia Fever” o timbre da voz de Casmir nos remete aos bons tempos de Trapeze e com não outro senão Mr. Glenn Hughes nos vocais. A semelhança chega a ser engraçada! Já a épica homenagem ao veteranos da guerra do Vietnã, “Brother’s Comin’ Home”, traz belas orquestrações e o piano de Stein, provando que a RCA até investiu uma grana com os rapazes, o que infelizmente acabou não refletindo na reputação comercial do grupo, que nunca existiu para o grande público.

Esse grande disco termina com “The Peddler”, apostando firme no peso e na cadência tradicional do Hard setentista.
Stein depois ainda tocaria com Alice Cooper (em sua tour pela Austrália e Nova Zelândia em 1977), Tommy Bolin e Dave Mason entre outros e também promoveu retornos do Vanilla Fudge nos anos 80 e ainda recentemente. Os demais integrantes simplesmente desapareceram, inclusive o jovem guitarrista Ricky Ramirez, que prometia bastante pelo que apresentou nesse álbum. Coisas do Rock, enfim…

Boomerang / RCA (1971)

Produção: Boomerang
Produção Executiva:
Bob Ringe
Estúdio de gravação: RCA Studio B, New York City
Engenheiro de som: Gus Mossler
Técnicos de gravação: Pat Martin, Mike Hartry e Dick Baxter
Orquestração: Billy Arnel

Formação:
Mark Stein (vocais / órgão / piano)
Richard Ramirez (guitarra elétrica e acústica)
Jo Casmir (baixo / vocais)
James Galluzi (bateria)

Faixas:
Juke It / Fisherman / Hard Times / Mockingbird / Cynthia Fever / Brother’s Coming Home / The Peddler.

Notas:
# O press-release distribuído pela RCA na época garantia que o guitarrista Ricky Ramirez tinha apenas 16 anos de idade quando gravou esse disco.

# O disco foi um fracasso de vendas na época e dizem que o grupo sequer conseguiu excursionar pela América em função desse fracasso comercial.

# A RCA apostou na banda lançando dois compactos também em 1971. Um era “Juke It” (editada), contando com “Hard Times”, no lado B, e o outro compacto trazia a faixa “Mockingbird” com a inédita “Montreal Jail”, no lado B.

# O Boomerang gravou um segundo disco em 1972, que foi arquivado pela gravadora e permanece inédito até os dias atuais por meios “oficiais”. Na internet é fácil encontrar o álbum para download.

Texto de Bento Araújo
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 4.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

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2 responses to this post.

  1. Mark Stein talvez foi um dos tecladistas mais influentes dos anos 1960. Os solos de Jon Lord nos três primeiros albuns do Deep Purple (então com Rod Evans e Nick simper completando o elenco original), lembram bem a linha sonora do Vanilla Fudge.

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