Wallace Collection – Daydream (1969)

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O Wallace Collection pode ser considerado uma pérola da psicodelia brega do final dos anos 60. A banda surgiu na Bélgica e tinha como curiosidade, uma habilidade incrível para mesclar melodias pop com guitarras, passagens jazzísticas e fragmentos de música erudita. Na formação do grupo, dois jovens cuidavam dos violinos e violoncelos, Raymond Vincent e Jacques Hamotte, que eram também membros da Orquestra Filarmônica Belga! O restante do pessoal era Marc Herout (pianista com bagagem Jazz), Sylvain Vanholme na guitarra, Christian Janssen no baixo e Freddy Nieuland na bateria e vocais. Antes de formarem o Wallace, esses garotos já haviam tocado em diversas bandas belgas como o Sylvester’s Team, o 16th Century e o Stradivarius.


Partem para Londres em 1968, onde começam a gravar um disco nos estúdios da EMI, com produção de David Mackay. Durante as sessões, num momento de folga, durante a visita a um museu, adotam o nome Wallace Collection. O nome da estréia em LP é Laughing Cavalier, que junto ao compacto de “Daydream” colocou a banda nas paradas de sucesso em mais de 20 países, inclusive aqui no Brasil, onde o compacto da música foi lançado em 1969, impulsionando até um show dos caras por aqui no Festival Internacional da Canção!

Um concorrido concerto no templo da música erudita inglesa, o Wigmore Hall, deixou a platéia boquiaberta e a reputação do grupo não poderia ser melhor quando lançaram seu segundo álbum, Serenade, que também saiu por aqui em 1970 pela Odeon, com capa sanduíche, mono e com o nome de Wallace Collection.

São convidados para a MIDEM 70, feira anual da indústria fonográfica realizada em Cannes, no sul de França, e mais uma vez arrancam elogios da imprensa e de produtores musicais do mundo inteiro. Na ocasião gravam uma trilha sonora, chamada La Maison.

Um crítico inglês chegou a declarar que o Wallace Collection estava quilômetros à frente de bandas como o Moody Blues, Procol Harum e o Deep Purple, no quesito mescla de rock com música erudita, uma tendência bastante utilizada no final da década de 60.

Apesar de tanta badalação, o grupo sofria bastante com a pressão da gravadora em exigir um outro hit com o mesmo impacto de “Daydream”. Isso foi minando a resistência da banda, que veio a encerrar as suas atividades em 1971. O baterista e vocalista Freddy Nieuland, detinha os direitos de uso do nome, e continuou gravando como Wallace Collection. Raymond Vincent formou o Esperanto, outra banda de sucesso em muitos países. Já Sylvain Vanholme tornou-se um renomado produtor na Bélgica.

Texto de Bento Araújo
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 4.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

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7 responses to this post.

  1. Posted by jerusalem-marins on 01/11/2015 at 8:26

    A quem possa mais possa interessar: o primeiro disco da banda foi o último a ser lançado pela EMI em versões mono e estéreo. Ninguém menos que George Martin o considerou o melhor álbum gravado em 1969. Nada mal para uma banda não inglesa que, por puro preconceito, foi chamada aqui e acolá de banda progressiva kitsch, brega, cafona ou sei lá mais o quê. Mas, felizmente, o tempo (res)guardou o valor do Wallace Collection em bom lugar e em bom companhia: Bee Gees, Aphrodite’s Child, Mutantes e O Terço subestimados então pela mesma elite chique que, de música e de crítica não sabia nada além de comentar as modas, hoje deve estar, no mínimo, em estado de choque com as edições especiais dedicadas a essas bandas maravilhosas no mundo inteiro.
    P.S. Acabo de encomendar do Japão as duas recentíssimas edições em SHM – CD dos dois primeiros discos do Wallace Collection. Corram; as tiragens, nessa tecnologia desenvolvida pela JVC e a Universal Music Japan, serão, como de costume, limitadas…

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  2. Posted by Luiz Carlos Rodrigues on 25/04/2011 at 19:24

    Caros amigos que gostam da boa música. Vocês sabiam que muitos músicos como The Wallace Coletion com formação clássica foram responsáveis por uma avalanche de musicas (pop) boas nos anos 60 e 70? Para combater essas feras, a mídia (colaborando com algumas gravadoras) inventou os tais metaleiros para abafar a qualidade desses caras. Uma pena. Só que não conseguiram.
    Luiz Carlos

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  3. Posted by ribeiro on 24/05/2010 at 19:32

    velhos tempos hein?

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  4. grande banda, musicos maravilhosos, “DAYDREAM´´ impressiona até hoje, SERENADE impecavel, pena q hoje nos jogam tanto lixo na midia, bandinhas q não serviriam nem pra brilho nas botas dos caras,principalmente esta nacionais como uma tal NXZERO ridicula.

    ABRAÇOS

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    • VOcê falou tudo ! Estamos na decadência mundial e isso claro envolve a música, é só ouvir Daydream e esquecemos de tudo de ruim que toca por ai. abraços…

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    • Posted by ribeiro on 24/05/2010 at 19:34

      no meu tempo só tinha coisa boa, até as que eram chamadas de ruim agradavam.

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  5. Banda legal, eu tenho um compacto deles com “Fly me to the Earth” e “Laughing Cavalier”. É bem tocado e produzido. Abraço!

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