Hawkwind, a capa de Space Ritual…

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Barney Bubbles merecia ser muito mais reconhecido, além do que é cultuado. Mais popular? Não seria apropriado. Não é do mesmo tipo de artista gráfico que um Roger Dean, cujo apelo é mais para o belo e o épico. Barney (nome real: Colin Fulcher) era o inquieto, o típico freak da Portobello Road, onde viviam os doidões naquela Londres pós-psicodélica. Nesse cenário, nada mais natural do que ele estar associado ao Hawkwind. Toda a concepção da banda casava com o estado de espírito e a arte de Barney. A parceria começou em In Search Of Space (1971), segundo álbum do Hawkwind, e seguiu em Doremi Fasol Latido (1972) e até 1978, tudo muito bem-elaborado e bem-sucedido, incluindo cartazes e ocasionalmente cenários de palco. Mas o trabalho dele que causou mais impacto foi a arte do álbum duplo ao vivo da banda, Space Ritual, de 1973, o segundo LP com Lemmy no baixo e em alguns vocais, e também a primeira gravação oficial em disco do muito subestimado artista Robert Calvert.

Abrir a capa da edição original inglesa enquanto se ouvem as bolachas é viver o que se pode, hoje, da experiência sensorial que era o show do Hawkwind naquele tempo após o sucesso do single “Silver Machine”. Era um espetáculo com poesia, artes plásticas, o show de luzes de Liquid Len and The Lensmen e a dançarina Stacia ao som em alto volume dos Hawks comandados pelo guitarrista Dave Brock. A capa desdobra-se em seis partes, frente e verso, e mostra uma deusa (Stacia) guardada por felinos, antigas imagens egípcias e balinesas, e o grupo fotografado por Laurie Lewis e Gabi Naseman em plena orgia sonora. Frases de letras de músicas sobre imagens cósmicas conferem um charmoso e simplório mistério a alguns dos painéis, e os envelopes dos elepês são literalmente “decorativos” (mas seu exemplar não estará completo sem eles).

Barney cometeu suicídio em 1983. Além do Hawkwind, também trabalhou com Edgar Broughton Band, The Damned, Ian Dury & The Blockheads, Michael Moorcock e Elvis Costello. Em 1978 criou o novo logotipo do semanário New Musical Express, que seria usado até fins dos anos 80.

Texto de Ricardo Alpendre
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 18.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

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