#1969# Crosby, Stills & Nash

crosby_stills_nash1

No final do mítico ano de 1968, o power-trio inglês Cream estava dando adeus aos seus fãs. As longas turnês, a influência de outros estilos musicais e a inquietação de seu principal membro foram os pontos-chave da separação. Eric Clapton, em sua autobiografia, chegou a comentar esse período:

Quando você toca noite após noite em uma agenda esgotante, muitas vezes não porque queira, mas porque é obrigado por contrato, é bem fácil esquecer os ideais que o levaram a se juntar àquilo. (…) Comecei a ficar muito envergonhado de estar no Cream, porque achava uma fraude. Não estava evoluindo…Enquanto fazíamos a viagem pela América, éramos expostos a influências extremamente fortes e poderosas, como o jazz e o rock´n´roll, que cresciam ao redor, e parecia que não estávamos aprendendo com aquilo”.

Bom, você pode estar se perguntando: “mas que diabos o Cream tem a ver com o Crosby, Stills & Nash?” Pode-se dizer que tudo, uma vez que a primeira banda foi desmanchada meses antes do disco citado ser lançado pelos vocalistas e guitarristas David Crosby (vocal e guitarra), Stephen Stills (vocal e guitarra) e Graham Nash, através da gravadora Atlantic Records. Feito que serviu de trampolim para o sucesso do trio, tanto junto ao público como também à imprensa, sendo considerados por ela como “o melhor dos supergrupos” à época.

Clapton, tempos depois, foi convidado por Stills para dar um upgrade no som ao vivo do conjunto, porém esse convite não foi aceito pelo então guitarrista do Blind Faith. A recusa foi devida ao fato de Clapton estar trabalhando com seus companheiros para o primeiro álbum do grupo, que contava com o tarimbado Steve Winwood, outro nome cogitado pelo Crosby, Stills & Nash (!) para preencher a função de tecladista em suas apresentações.

O assédio não era novidade para Crosby, Nash e Stills, respectivamente ex-integrantes da bandas The Byrds, The Hollies e Buffalo Springfield, sendo que esta última contava com o lendário Neil Young – que, nas décadas seguintes, viria a fazer parte da formação do CS & N, quando da sua turnê de verão e da apresentação no festival de Woodstock, onde Young participou do set elétrico do conjunto.

Com o lançamento do álbum homônimo, composto por dez marcantes e singulares faixas, daí sim o sucesso veio à tona. Músicas como a instrospectiva “Guinevere”, a alegre Marrakesh Express” e a reverberante “Long Time Gone” – esta última considerada o retrato de uma era, assim como “My Generation”, do The Who – são algumas das jóias do elepê, que chegou a vender dois milhões de cópias nos E.U.A em apenas 12 meses e atingiu a 6ª colocação por lá.

A partir desse disco, porém, o brilho da banda começou a se perder – apesar do trabalho posterior, Deja Vú, ter ocupado o topo das paradas. Neil Young saiu do grupo para cuidar de sua carreira solo, e Crosby, Stills & Nash passaram a produzir pouco nos anos 70. Desceram do céu ao inferno, ficando com a pecha de “hippies desiludidos com dinheiro demais e problemas com drogas” – crítica nada anormal naqueles tempos.

Como registrou o jornalista Joel Mclver, da revista Record Collector, esse play resenhado “são ¾ de hora de exuberante criatividade que permanecem um marco”. Isso é o que importa.

Curiosidade: em 06 de dezembro de 69, o Crosby, Stills & Nash foi o convidado de honra dos Rolling Stones para uma apresentação no Altamont Speedway, em Livermere, no norte da Califórnia (US). Durante o show dos Stones, o evento se transformou num cenário de violência total, que culminou no assassinato de um jovem de 18 anos de idade chamado Meredith Hunter.

Tracklist:

1 – Suíte: Jude Blues Eyes (Stills)
2 – Marrakesh Express (Nash)
3 – Guinevere (Crosby)
4 – You Don´t Have to Cry (Stills)
5 – Pre-Road Downs (Nash)
6 – Wooden Ships (Crosby / Stills)
7 – Lady of The Island (Nash)
8 – Helplessly Hoping (Stills)
9 – Long Time Gone (Crosby)
10 – 49 Bye-Bye (Stills)

(Lucas Mosca)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: