#Capas Históricas” – Led Zeppelin (Houses of the Holy)

Uma bela tarde, Jimmy Page ligou para o conceituado estúdio londrino Hipgnosis para perguntar se eram eles os responsáveis pela capa do disco Argus, do Wishbone Ash. Quando o guitarrista achou os responsáveis pela aquela estonteante capa, não demorou para o convite ser feito: “Vocês gostariam de fazer a capa do próximo disco do Led Zeppelin?”

Page e o mega-empresário Peter Grant se mandaram pro estúdio para discutirem a arte do álbum. Grant tinha anotado várias idéias na parte traseira de seu maço de cigarros, porém, o renomado designer Storm Thorgerson, que já havia trabalhado com o Pink Floyd, The Nice e Quatermass, teve duas idéias. A primeira era colocar o símbolo ZOSO de Jimmy Page numa paisagem do pampa colorado peruano, onde se encontram as famosas linhas de Nazca. A segunda era baseada na obra Childhood’s End, de Arthur C. Clarke, onde uma família nua escalava um monumento sagrado (Clarke depois declarou que se sentiu lisonjeado, pois o Led sempre foi uma de suas bandas favoritas!).

Como o Peru ficava muito longe, Thorgerson lembrou que na Irlanda ele poderia contar também com muitos monumentos místicos e misteriosos. Com a segunda idéia em mente, se mandou com o fotógrafo Aubrey Powell para o Giant’s Causeway, no norte irlandês. Foram contratados cinco modelos para as fotos, três adultos e duas crianças (um casal de irmãos).

Todos tiveram seus corpos pintados com uma tinta prateada e partiram para as ruínas ainda de madrugada, pois o intuito era captar a foto em um glorioso amanhecer ensolarado que nunca acontecia, já que naquela região da Irlanda só chove.

O jeito foi recortar as fotos das crianças, multiplicá-las em diversos ângulos e aplicá-las numa outra foto previamente pintada à mão pelo desenhista Phil Crennel (lembre-se tudo em uma era pré-Photoshop).

A versão original de Houses of The Holy seguia as mesmas atitudes anti-comerciais do disco anterior da banda (LED IV), onde nenhuma alusão ao grupo aparecia na capa e contra-capa. Nome, logotipo, músicas, ficha técnica…nada disso, apenas a pura e bela arte…

Não demorou muito para alguns babacas censurarem a capa de Houses. No Sul dos EUA, na Espanha e até no Brasil, algumas edições foram lançadas com um selo que cobria o quadril da ingênua garotinha e trazia o nome do grupo e o nome do álbum, matando toda aquela idéia inicial misteriosa…

O Led virou cliente fiel da Hipgnosis (Presence, Song Remains The Same, In Through the Outdoor, Coda) e Simon Gates, o garotinho que aparecia nú na capa de Houses Of The Holy, confessou que ‘azarou’ muita menininha em sua adolescência, quando levava a garota na loja de discos e mostrava: “Olha só como a minha bunda é famosa!”

Texto de Bento Araújo
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 12.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

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