Bad Company (1974)

Se o AOR teve um pontapé inicial esse foi dado pelos ingleses do Bad Company. O super-grupo formado por Paul Rodgers e Simon Kirke (Free), Mick Ralphs (Mott The Hoople) e Boz Burrel (King Crimson) foi o primeiro a dar ao publico norte-americano o que ele queria: um disco que pudesse ser tocado na íntegra no rádio, ou seja, qualquer música do trabalho de estréia da banda tinha cara de hit.

Sacando o potencial da rapazeada, Jimmy Page e Peter Grant “fisgaram” o Bad Company para a Swan Song Records, selo de propriedade do Led Zeppelin que estava adentrando no mercado fonográfico (o Bad Company foi a primeira contratação do selo).

O disco pode ser considerado uma das melhores estréias da história do Rock. Em pouco mais de meia hora, trazia um som simples, porém refinado e de extremo bom gosto.

Surgiu numa época de produções megalomaníacas em que bandas como Yes e EL&P estavam na crista da onda. O Bad Company apostava na simplicidade e na competência de seus músicos. Até a capa era uma volta às raízes, apenas o logo da banda numa tipografia imitando couro, contrastando com um fundo negro. Idéia depois aproveitada por Jeff Beck em There and Back e pelo AC/DC em Back In Black, ambos lançados em 1980.

“Can’t Get Enough” chegou ao primeiro posto da parada, levando o Bad Company a excursionar diversas vezes “coast to coast”, num verdadeiro desbravamento roqueiro pelos estádios e arenas dos EUA.

Os genuínos rocks “Rock Steady”, “Movin’ On”, “Bad Company” desfilam ao lado das baladas “Ready For Love” (uma pequena obra prima de Ralphs lançada antes pelo Mott mas sem o mesmo impacto), “Don’t Let Me Down”, “The Way I Choose” e “Seagull”.

Paul Rodgers prova nesse álbum ser mesmo uma das melhores vozes do Rock, esbanjando uma classe poucas vezes vista no estilo; servindo fácil de ídolo para qualquer vocalista AOR que surgisse a partir daquele momento. Não é a toa que o Bad Company ainda lançaria muitos hits do estilo como “Feel Like Making Love”, “Shooting Star”, “Running With The Pack”, “Rock N’ Roll Fantasy”, etc.

Engraçado como esse álbum quase nunca aparece nas listas dos “melhores do Rock”, principalmente das publicações brasileiras.

Se o Punk Rock tivesse sido inspirado na simplicidade dos três acordes do Bad Company ao invés dos três acordes de certas bandas, talvez nossa cena musical atual fosse levemente mais agradável…

Texto de Bento Araújo
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 9.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

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