Histórias Perdidas do Rock Brasileiro – Vol 1

Histrias Perdidas Capa A

“É comum se pensar no rock brasileiro apenas a partir dos anos 1980, com o surgimento e a afirmação das bandas como Blitz, Paralamas, Legião, Titãs e tantas outras. (…) Fala-se também de Jovem Guarda, Mutantes, Secos e Molhados e pouco, muito pouco mais. Mas, paralelamente à Jovem Guarda e mesmo antes, os bravos guerreiros do rock já empunhavam suas guitarras”.

O trecho acima foi extraído da orelha do novo livro do escritor Nélio Rodrigues, intitulado “Histórias Perdidas do Rock Brasileiro – Vol 1”, que se propõe a destrinchar o período dos anos 60 e 70 do rock brazuca, resgantando muitas bandas do undreground que não ganharam os holofotes da grande mídia, mas que, segundo o jornalista Ricardo Schott, “ajudaram a pavimentar alguns dos primeiros cenários subterrâneos do rock nacional”.

“Foram bandas como Bubbles e Analfabitles que criaram a noção de um som da pesada mesmo, com a aparelhagem na frente do palco, impondo respeito”, descreve Rodrigues – que também é o autor de “Os Rolling Stones no Brasil” e coautor de “Sexo, drogas e Rolling Stones”, com o jornalista José Emílio Rondeau.

Além dos Analfabitles e dos Bubbles, recheam as 130 páginas do livro grupos como Os Selvagens, Faia, Equipe Mercado, Karma, Módulo 1000, Os Incríveis, etc.

Já dizia o historiador que para compreender o presente é preciso olhar o passado. E Rodrigues, que é biólogo de formação, neste seu novo trabalho faz isso como poucos pesquisadores da cena roqueira do país. Se você acha que o verdadeiro rock só surgiu nos anos 80, é porque ainda não leu o livro comentando nestas linhas.

Nas palavras de Rodrigues: “O rock só virou fenômeno de massa no Brasil nos anos 80. Antes era vida de guerreiro”.

Mais detalhes aqui.

Leia abaixo uma entrevista com Nélio Rodrigues, o autor do livro:

pZ – Nelio, conte pra gente o que seria “as histórias perdidas” do rock brasileiro…e como surgiu a idéia de lançar esse livro…

NR – Na verdade, reuni algumas histórias de bandas obscuras ou pouco conhecidas dos anos 60 e 70, sobretudo do Rio. Acho que o que se conhece do rock brasileiro dos anos 60 e 70 é apenas a parte mais evidente, aquela que inclui a jovem guarda e nomes como Raul Seixas, Rita Lee, Easmo Carlos e Secos e Molhados, de modo geral. O que aconteceu além disso não chegou nas páginas dos livros ainda. Nem seus personagens, muitos deles injustamente esquecidos. O pouco que existe por aí está cheio de erros. Recuperar esse legado histórico pouco conhecido me parece essencial.

pZ – Foi difícil de localizar os integrantes dessas bandas esquecidas da nossa cena? Qual desses textos te deixou mais orgulhoso?

NR – Nem tanto. Alguns desses nomes ainda estão por aí, não com suas bandas originais. O que me deixou mais feliz foi ver a alegria com que alguns desses roqueiros, ao puxar pela memória, traziam à tona suas próprias histórias. E ver que contribuiram de alguma forma com a evolução do rock no Brasil. Agora, uma das histórias que mais me toca é a de Jorge Amiden, um talento que ajudou a fundar o Terço e o Karma, mas que foi derrotado pela doença.

pZ – Você foi/é colaborador do site Senhor F e lá conquistou vários seguidores… Qual a importância do site Senhor F no cenário do rock nacional? Os textos desse seu novo livro foram publicados anteriormente no site?

NR – Fernando Rosa foi um dos primeiros a abrir espaço na web para esse universo pouco conhecido do rock brasileiro dos anos 60 e 70. E atraiu a atenção até de colecionadores internacionais, que através de Fernando reeditaram, na Europa, pérolas totalmente obscuras do rock brasileiro, como o álbum do grupo Spectrum, de Friburgo. Sim, os textos foram publicados anteriormente na revista eletronica Senhor F. Aliás, alguns deles também apareceram nas páginas da Poeira Zine, onde aliás, continuo, de tempos em tempos, resgatando “histórias perdidas do rock brasileiro”. Mas foram todos revistos e atualizados.

pZ – Esse é o volume 1, pra quando está previsto o segundo volume? Você já pode adiantar algumas bandas que estarão nele?

NR – Faz tempo estou escrevendo um livro no qual conta as histórias de oito bandas do underground carioca, como A Bolha, Equipe Mercado e Módulo 1000, entre outras. Mas ainda há muito o que contar e já tenho uma razoavel lista de bandas para pesquisar e incluir no volume 2. Os Aranhas é uma delas.

pZ – Das bandas abordadas no livro, a maioria é do RJ. Nesse caso a localização do autor teve influência direta nisso? Você pretende falar de bandas obscuras de outros estados no próximo volume?

NR – Moro no Rio, vi algumas dessas bandas dos anos 60 e 70 ao vivo. Trata-se, portanto, de um cenário com o qual tenho mais intimidade. Mas isso não exclui meu desejo de falar de bandas muito boas de São Paulo, do Rio Grande do Sul e de outras regiôes do Brasil.

pZ – Para quem quiser adquirir o seu livro, qual o procedimento?

NR – O fato de ter sido publicado por uma editora pequena dificulta a distribuição do livro. Em todo caso, quem quiser adquirir um exemplar, pode entrar em contato comigo através do e-mail lneliorod@yahoo.com.br

2 responses to this post.

  1. Posted by Renato on 16/01/2016 at 4:11

    Tenho, muita tristeza, meu Pai fez um pouquinho parte desta história, porém uma grande enchente destruiu a lembrança mais valiosa que tínhamos, era uma foto dele abaixo da foto de Roberto Carlos, em um álbum de figurinhas, que o descrevia como Gato Guitarrista, As bandas que ele tocou não chegaram a gravar, devido uma por desfalque da sorte, e a outra do empresário, The Brasilian Birds e Faíscas. Sei que quem ler pode comentar, que nunca ouviu falar… normal.. Mas, sei que existiu pois ainda tenho algumas fotos… Triste também é que hoje o Alzheimer começa a destruir as estórias da historia das bandas dos anos 60, que eu tanto gostava de ouvir…. Grande abraço a todos, e lutem para que essas ai não se apaguem.

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  2. Posted by oscar gomes on 28/01/2010 at 13:44

    grande livro do rockroll ,vale a pena a gente ter e ler e guardar.Um detalhe ele ta devendo historias escondidas do rockroll de São Paulo ,MG e ai vai …sera que vem logo pelo menos o de Sampa..tantas bandas perdidas por ai ( da midia logico) , pelo menos a gente ja ouviu falar , ja ouviu um k7 emprestado …..valeu grande Nelio

    Responder

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