pZ #29 Extras: Airto Moreira

Texto de Ugo Medeiros

Quarteto Novo (Quarteto Novo) *****
Um dos discos mais importantes da música brasileira, perfeito do início ao fim. Os quatro músicos uniram a bossa nova e o jazz à rica sonoridade nordestina. “O Ovo”, uma das primeiras composições de Hermeto em parceria com Geraldo Vandré, apresenta uma flauta hipnotizante e uma emoção constante. “Fica mal com Deus” e “Canta geral” (outra feita pela dupla Pascoal/Vandré) têm uma percussão bem marcada e mostram grande entrosamento dos integrantes. “Algodão” é uma viagem pelos seus 7:22 minutos, a faixa mais longa do álbum. “Síntese” e “Vim de Santana” são exemplos perfeitos da mistura entre jazz, bossa nova e a música-de-raiz brasileira. “Misturada” é o “crème de la crème”. Primeiramente, um solo de bateria sensacional em que as rufadas e a “quebração” de pratos frenéticos são trocadas por uma aula rítmica com total domínio sobre o tempo (e muito contra-tempo!). Em seguida uma base pesada com dois violões e uma percussão “rasteira” que não larga a melodia (rock’n’roll na veia!), até que entra a flauta e conduz novamente à leveza. Simplesmente GENIAL! Se aparecesse um ET na minha frente e me perguntasse o que é música brasileira, responderia apenas duas palavras: Quarteto Novo.

Natural Feelings (1970) ***
Se o ouvinte ainda não conhece o trabalho autoral de Airto, é aconselhável não começar por este disco, que é o primeiro do músico. Contando com a colaboração de Flora Purim, Hermeto Pascoal, Sivuca (arranjador e multi-instrumentista) e Ron Carter, o trabalho traz boas músicas, como “Alue” e “Mixing”, além da psicodélica “Terror”.

Seeds on the Ground (1971) ***1/2
Para o segundo disco, Airto manteve os mesmos músicos e ainda convocou Dom Um Romão (baterista e percussionista com passagem pelo Weather Report) para o time. “O galho da roseira part 2” é o grande destaque deste trabalho mais maduro.

Fingers (1972) ****1/2
Uma porrada muito bem dada! Logo de início, Airto e banda apresentam uma sequência matadora: abrindo o disco, “Fingers e Romance of death”, dois ótimos fusions; “Merry-go-round”, um simpático baião; e “Wind chant”, com uma nervosa evolução. O encerramento fica por conta da ótima “Tombo in 7/4”, que conta com um coro e uma percussão de samba de arrepiar.

Free (1972) ****
Ao lado de uma verdadeira seleção que contava com Chick Corea, George Benson, Hubert Laws (flauta), Joe Farrell (saxofone), Keith Jarrett, Ron Carter, Stanley Clarke e outros, Airto nos presenteou com um grande trabalho. A primeirona, “Return to forever”, é um fusion psicodélico da melhor qualidade. “Flora’s song” traz um bom free jazz. O clima de psicodelia volta em “Free”. E o disco ainda reserva “Creek [Arroio]”, excelente canção em que flauta, saxofone e piano mostram entrosamento perfeito.

Virgin Land (1974) ****
Outro ótimo disco de Airto, neste com participações de George Duke e Stanley Clarke. O disco abre bem com quatro “musicaças”: “Stanley’s tune”, “Musikana”, “Peasant dance” (um fusion com influências árabes) e “Virgin land”. A saidera fica por conta da funkeada “I don’t have to do what I don’t want to do”.

Identity (1975) ***1/2
Ao lado de Egberto Gismonti, Herbie Hancock e Wayne Shorter, o percussionista fez um bom disco. “The magicians” e “Encounter [Encontro no bar]” são as faixas mais marcantes, mas há também outras boas canções, como “Wake up song [Baião do acordar]” e “Tales from home [Lendas]”.

Struck of Lightning (1989) ***1/2
Chick Corea, Herbie Hancock e Stanley Clarke foram as “contratações de peso” para este bom trabalho. O álbum apresenta duas músicas que são didáticas a todo aprendiz de percussão: “It’s time for carnival” e “Berimbau first cry”. A segunda metade do disco é excelente: três faixas extremamente jazz, “Struck by lightning”, “Samba louco” e “Seven Dwarfs”, uma psicodélica para não perder o costume, “Samba nosso”, e uma em que Airto mostra todo o seu virtuosismo, “Skins & Rattle”.

Killer Bees (1989) ****

Com uma banda que incluía Chick Corea, Herbie Hancock e Stanley Clarke, o projeto não podia ter outra sonoridade senão jazz. “Be there” é composta por uma ótima linha de baixo e por arranjos muito bem desenvolvidos. Outra bela faixa é “Chicken in the mind”, a última da bolacha, em que o Herbie Hancock apresenta o cartão de visitas.

Revenge of the Killer Bees (1998) ****
Para a revanche das abelhas assassinas, foram mantidos os mesmos “zangões” do primeiro. Um grande disco, com “City sushi man” e “Chicken in the mind” flertando com uma batida característica da música eletrônica. “Nevermind” encerra o trabalho de forma impecável.

Uma biografia completa de Airto Moreira, com declarações exclusivas do próprio, você confere na edição atual da revista poeira Zine (#29). Mais detalhes no www.poeirazine.com.br

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