pZ Entrevista Guga (Os Baobás e BeatCousins)

A matéria completa sobre Os Baobás você confere na versão impressa da pZ (edição #31), abaixo a entrevista na íntegra

pZ – Guga, como você foi parar no Baobás?

Guga – Em 1965 eu tocava em um conjunto chamado The BeatCousins, que ganhou o Festival da Jovem Guarda. Fomos contratados para tocar em no reveillon em uma mansão localizada na Granja Julieta, na zona sul de São Paulo… Dentro dos convidados estavam Roberto Corte Real (empresario dos Baobás) e o Jorge Pagura (baterista e líder dos Baobas)…

Eles estavam há algum tempo procurando alguém com um tom de voz para cantar e gravar as musicas “Light My Fire” e “(Sittin’ On) The Dock of the Bay”. Ao verem a minha performance com os BeatCousins eles gostaram e me chamaram para fazer a gravação dos dois compactos.

pZ – Sua primeira gravação com eles foi mesmo “Tonite (Esta Noite)”, o lado B de um compacto da banda que trazia no lado A uma versão para “Light My Fire” dos Doors? Você também participou do lado A?

Guga – “Light My Fire” do Lado A foi a razão principal de eu ser convidado para entrar para os Baobás; fui eu que cantei na gravação… A musica do lado B, “Tonite” é de minha autoria e cantei nela também.

pZ – Em “Tonite (Esta Noite)”, nota-se influências de Country Joe & The Fish, Kinks e Love… Vocês curtiam essas bandas na época?

Guga – Realmente os BeatCousins tinham este perfil e foi onde eu compus “Tonite”… que veio então a ser gravada também pelos Baobás.


pZ – Como foi acompanhar o Caetano Veloso e substituir os Beat Boys?

Guga – Para mim foi uma honra ter acompanhado o Caetano e uma experiência bastante agradável ensaiar com ele.

pZ – Fale um pouco sobre o único LP que vocês lançaram na época. Como foram as gravações? Rolaram muitos shows pra promover o disco?

Guga – A gravação do LP foi feita em vários estúdios no centro de Sampa. Me lembro particularmente da gravação de uma música dos Doors, ‘Hello I Love You,’ em que estávamos na terceira tentativa de gravação e no meio da música a luz acabou no estúdio…Foram verificar na rua o que poderia ter acontecido e notaram que somente no estúdio é que estava faltando energia.

Olhamos na caixa de entrada de eletricidade do estúdio e encontramos a causa do problema: um rato, que estava andando por ali e pisou em duas das fases, causando um curto circuito… Do rato só sobrou o esqueleto, grudado nas fases elétricas, e um cheiro de churrasco incrível…Todos fomos ver o ocorrido, e ninguém quis comer lanche naquele dia, mas enfim, a gravação continuou. Toda vez que eu ouço, ou canto ‘Hello I Love You’ eu me lembro do pobre rato.

pZ – Esse álbum hoje vale uma pequena fortuna, principalmente no exterior. O que você tem a dizer sobre isso? Você imaginava na época que os Baobás se tornariam uma banda tão cultuada, inclusive internacionalmente?

Guga – Sim… eu acredito nos anos 60… pois foi quando a música morreu… (pra mim pelo menos) não existia comunicação, e os jovens se comunicavam muito através das garage bands que existiam nos vários bairros de Sampa… Como os BeatCousins eram os idolatrados da Zona Sul de Sampa… os Baobás reinavam no Jardim América e na região da Augusta… e assim por diante em toda a cidade…

Eu tanto acreditava nos Baobás como nos BeatCousins e também em muitas outras Garage Bands, que certamente seriam ser parte figurante na historia do rock no Brasil. Esta é nossa historia para contarmos para as futuras gerações…

Procuro guardar fotos e inclusive cópias de gravações e tenho comigo rolo de fitas, tanto dos Baobás como dos BeatCousins, que gravaram programas do ‘Quadrado e Redondo’ para a TV Bandeirantes. Todas essas fitas foram perdidas em incêndios na TV bandeirantes, assim como nos estúdios da Mocambo; mas eu guardei algumas cópias feitas destas gravações… e digo mais, aguardem, pois já enviei cópia deste material para Europa, onde eles valorizam muito essa época das Garage Bands e logo logo vamos ter lançamentos não só dos Baobás, mas também dos BeatCousins.

pZ – Antes dos Baobás você fez parte do BeatCousins, um dos mais famosos conjuntos de Garage Band da Zona Sul de São Paulo entre 1964 e 1966. Quais as melhores lembranças dessa época?

Guga – Qualquer um que assistir os vídeos no YouTube vai notar que o grupo era bem família. Eu tinha 18 anos e a menina que aparece abraçada ao meu lado quando apareço cantando tinha 16 anos não completos e virou minha esposa. Todos os integrantes do conjunto eram primos irmãos. Nos inscrevemos no 1º festival da Jovem Guarda e ganhamos em 2º lugar… foi um sucesso que alavancou o conjunto.

O bairro do Brooklin e Santo Amaro foram em peso ao teatro Record na época… uma doidera total… O sucesso chegou a subir em nossas jovem cabeças…

Tocávamos 99% das vezes nas festas dos colégios Americanos “Chapel e Graded School”, por isto nosso repertório era inédito, em função dos estrangeiros que traziam discos de fora que não eram lançados no Brasil na época, e claro, nosso repertório era imenso e todo baseado em singles.

Como disse antes, tanto os BeatCousins como os Baobás terminaram primeiro porque a comunicação mudou. Havia acabado o tempo das Garage Bands… A música tinha morrido… E segundo porque tínhamos que entrar numa faculdade e se formar…

pZ – Como rolou o lance da Nestlé? Vocês foram convidados para gravar a primeira propaganda do Nescau para a TV e inclusive aparecem no comercial, certo?

Guga – A Nestlé procurava na época um conjunto que representasse algo bem “família” e que fossem todos “lindinhos”… Na época (pelo menos na zona sul) era moda todos os adolescentes fazerem um book junto às agências de propaganda e nós fizemos um book do conjunto com uma produtora da JW Thompson e o “mosquito” da produtora nos descobriu… Nunca mais o vi… gostaria de agradecer a ele e trocar algumas memórias…

pZ – The BeatCousins chegou a gravar algum compacto na época? Existe material desse período?

Guga – Os BeatCousins gravaram nos novíssimos estúdios da TV Bandeirantes algumas músicas que seriam escolhidas para o Programa “Quadrado e Redondo” que chegou a ser top na época. Infelizmente a TV Bandeirantes pegou fogo e todo o estúdio com o material foi destruído, mas eu guardei uma cópia… Inclusive no vídeo do YouTube, a musica “Daydream Believer” é uma destas cópias que eu tenho da época. As cópias foram gravadas em fitas cassete e depois digitalizadas, por isto a qualidade não é tão boa…

pZ – Você chegou a ter amizade com algum integrante dos Mutantes?

Guga – Sim, eu os conheci durante os programas que tocamos juntos com o Caetano… Mas os Mutantes, o nome já diz tudo; eles não eram uma Garage Band. Eles eram a próxima geração; a mutação. Os doidos, os loucos, os psicodélicos. Nós havíamos morrido pra eles…

As fotos são do arquivo pessoal do Guga.
Mais detalhes sobre a edição atual da poeira Zine AQUI

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3 responses to this post.

  1. Olá Guga!
    Prazer em saber que voce está”alive & well”.
    Me lembro de você em épocas distintas, numa festa numa garagem na Avenida Angélica, talvez 68?!(mas o conjunto tinha outro nome, acho que Guga’s) e depois numa Banda no Circulo Militar com o Claudinho Morgado no baixo(me parece que voce havia voltado do Estados Unidos?!), sua aparencia nesta ocasião (camisada xadrez de lenhador e botas Tipo Timberlnad.Ê memória Bôa!)lembrava muito muito o meu cantor favorito: Dave Clayton Thomas< com quem tive o prazer e a honra de cantar junto em uma canja vocal(Blood Sweat & Tears)no Teatro de Cultura Artística. Eu e você somos contemporâneos: comecei minha carreira musical em 64 , seguindo a mesma trilha de Todos da época: Bandas de garagem,Bailinhos , Festas de colégio, quermesses; só que em 67 já tocava em buates da Rua Augusta e arredores( Fase 77 era a minha banda) depois fui seguindo ate O Joelho de Porco, Terreno Baldio etc etc. Aliás O Carlos "Tico"Alberto Terpins(que está na capa do LP dos Baobas), sou vizinho do baixista Clau(ex Baobas)formou comigo e o Prospero Albanese , Conrado Assis Ruiz, a Banda Joelho de Porco, tambem convivi com o Nescau, Liminha, o Tuca(ex "Mooners",Os Lunáticos) que tocava com o "Mosquito Elétrico" com quemn toquei num bar da Vila Madalena em 2008 (ainda trabalha com publicidade e toca de vez em quando), tambem nunca mais o vi. Meu caro Guga estou na Zona Sul, sou baixista, espero que voce leia este comentário. Se quiser entrar em contato, fique a vontade… Grande abraço!
    Saúde & Paz.
    Rodolfo "Capitan Aguirre" Braga
    http://www.myspace.com/captaguirre

    Responder

    • Oi Rodolfo,
      Me lembro de voce sim… bons tempos aqueles agora moro em Maui, no Hawaii
      tenho um site, podes entrar em contato http://www.mauiairborne.com
      Visite o youtune e digite The BeatCousins vais ver alguns videos nossos por lá.

      Abração, Guga

      Responder

      • Legal Guga! Encontrei a uns anos atrás(2007)quando toquei num barzinho na Chácara Sto Antônio o guitarra base(é o mesmo que esta no comercial da Nesacu do seu lado esquerdo com uma Supersonic) do Beat Cousins(na época que eu vi voces foi em 1968 , na bateria estava escrito Guga’s, talvez fosse uma discidência da banda?!) Não sei o nome dele talvez seja seu primo, êle mora ná area perto da Americo Brasiliense(Brooklin, Sto Amaro), Enfim morei em Los Angeles de 97-2000 e em New Orleans(1973-750. Agora quero morar em Peruibe e montar um escola de musica para crianças e continuo tocando(sempre que possível) muito R & B, Soul, Funk, Rock, Standard de Jazz. Dá uma olhada no meu site lá tem videos e msuicas gravadas com bandas brasileiras e norte americanas e artistas famosos( Roberta Miranda). Enfim continuo profissional. Keep in Touch, Whenever you come to Brazil let me know we may can set a gig in the name of all good times. Abração
        Rodolfo Ayres Braga
        http://www.myspace.com/captaguirre

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