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Steely Dan – Rikki Don’t Lose That Number (1974)

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O Steely Dan ficou conhecido pelo primor e bom gosto de suas legendárias composições, também pudera, o grupo era formado por dois compositores de mão cheia, Walter Becker e Donald Fagen, e um produtor experiente, Gary Katz.
Nesses tempos, era quase raridade um grande grupo não ter baterista e baixista fixo. Melhor para eles, que podiam escalar sempre músicos de primeira para as gravações e tours, apesar do Steely Dan ser avesso a tours nessa época de sua carreira, preferindo se concentrar totalmente na produção de seus trabalhos em estúdio.

Depois de uma estréia primorosa com Can’t Buy A Thrill, em 1972, e um segundo álbum no mesmo nível, Countdown To Ecstasy, de 1973; o grupo/projeto adentrava 1974 com seu terceiro e mais sério trabalho até então, Pretzel Logic. Abusando de elementos característicos de sua rica sonoridade, o Steely Dan tinha as manhas de ‘letrar’ suas canções em formato de quebra-cabeça, apimentando tudo com humor inteligente e trocadilhos verbais/musicais.

“Rikki Don’t Lose That Number” abria o terceiro trabalho de Fagen e Becker e teve seu título baseado numa situação atravessada com o guitarrista Rick Derringer. O próprio guitarrista explicou o ocorrido recentemente, num fórum pela internet: “Esse título surgiu quando fizemos uma sessão juntos. Pelo que me lembro, Fagen anotou um número de telefone num papel e me entregou. Depois ficou a noite inteira falando: Rikky não perca aquele número! Obviamente a canção não tem nada a ver com aquela ocasião, mas o título certamente sim”. Derringer esqueceu de mencionar que ‘number’ é também uma gíria ianque para maconha, muito usada nos anos 60.

Alguns fãs diziam que a faixa era na verdade inspirada em Eric Clapton, já que Jim Gordon é o baterista da canção e como ele havia gravado com o Derek And The Dominos, de Clapton, a conexão estaria aí estabelecida, além do fato de Fagen soltar um “we could go our driving slow hand row” em certo ponto da canção, lembrando que ‘slow hand’ era o apelido do guitar hero inglês. Outra versão é que “Rikki” seria uma antiga namorada de colégio de Fagen, a senhorita Rikki Lee Jones.

Especulações à parte, o ritmo sincopado e o esmerado apelo pop de “Rikki Don’t Lose That Number” fez dela um dos maiores hits da banda e um clássico da década de 70. Nada mal para uma composição com a linha de baixo baseada num antigo tema de jazz chamado “Song For My Father”, original de Horace Silver. A abertura de ambos os temas é bem similar, o que comprova o bom gosto de Fagen e Becker de incluir referências jazzísticas em canções pop inesquecíveis.

Texto de Bento Araújo
Matéria originalmente publicada na revista poeira Zine número 17.
Para saber mais clique no www.poeirazine.com.br

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