Um papo com Phil Mogg (UFO)

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A pZ aproveitou que o UFO está de malas prontas para o Brasil e bateu um papo rápido com o líder, frontman e fundador da banda.

Entrevista por Bento Araujo

poeira Zine – Em todos esses anos, você é único integrante do UFO presente em todos os discos e formações. Como tem sido a jornada?

Phil Mogg – Bem irregular, instável e acidentada!

pZ – No início, parecia óbvio uma banda com o nome de UFO fazer rock espacial. Você ainda gosta dos dois primeiros discos, UFO 1 e UFO 2: Flying?

PM – Não gosto muito. Nesses dois primeiros discos, éramos uma banda extremamente jovem, tentando achar o nosso caminho.

pZ – Para alguns fãs, o UFO começou a funcionar bem a partir do quarto álbum, Phenomenon. Foi um ponto de virada para o grupo?

PM – Sim, certamente! E digamos que foi um belo ponto de virada. Foi o início do nosso período com a Chrysalis, então sabíamos que muita coisa estava por vir.

pZ – A capa de Force It gerou muita polêmica na época e foi censurada em alguns países. Os sexos do casal da foto são desconhecidos até hoje. É verdade que aqueles modelos eram Genesis P. Orridge e sua namorada Cosey Fanni Tutti, ambos integrantes do Throbbing Gristle?

PM – Eu não tenho certeza sobre a identidade daquele casal, mas isso que você comentou me parece correto. Genesis P. Orridge foi, depois, assistente do fotógrafo que cuidou daquela capa, e que trabalhava para a Hipgnosis na época.

pZ – Já passou pela sua cabeça de lançar um disco solo cantando blues, uma de suas paixões?

PM – Não. Sempre tem algo para se fazer relacionado ao UFO e eu sou um puta de um preguiçoso também… Enfim, nunca tenho algum tempo sobrando pra pensar numa carreira solo.

pZ – Steve Harris nunca escondeu que é um grande fã do UFO e que se inspirou muito no grupo para moldar o estilo do Iron Maiden. O que você acha disso? Você conhece Harris pessoalmente?

PM – Bem, eu penso que somos muito agradecidos por isso. Steve Harris não é exatamente um amigo, mas eu já ouvi dizer que ele é um sujeito amável.

pZ – Strangers In The Night é um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos. Quais as melhores lembranças daquela época?

PM – Chicago Amphitheater, grande show, grande noite, uma atmosfera fantástica.

pZ – Aproveitando, vamos tirar uma dúvida de muitos fãs. Michael Schenker toca guitarra no disco todo, ou algumas faixas foram gravadas já pelo seu substituto, Paul Chapman?

PM – Michael Schenker toca guitarra em todas as faixas de Strangers In The Night.

pZ – Por que o UFO raramente toca material dos anos 1980, ou mesmo das duas décadas seguintes, onde vocês lançaram bons álbuns como Walk On Water, Covenant e Sharks?

PM – Além de nossa “dieta básica” de material do Strangers In The Night, nós misturamos outras canções no repertório, mas realmente nunca revisitamos nosso material dos anos 1980. Nas últimas tours, no entanto, temos tocado “Venus”, do Walk On Water.

pZ – O UFO parace revigorado de 2004 pra cá, com o lançamento de discos como You Are Here, The Monkey Puzzle, The Visitor e o mais recente, Seven Deadly. Qual o segredo?

PM – Depois de décadas, creio que o UFO finalmente se uniu e entendeu o que estamos fazendo e para onde estamos indo.

pZ – A nova excursão brasileira promete, qual é a expectativa e quais são as lembranças da primeira passagem, em 2010?

PM – Lembranças? Amarula, clima fantástico e mulheres encantadoras. É uma nova tour, com novo material, novo setlist. Nos vemos em breve!

A Main Stage SP está trazendo o UFO para uma turnê brasileira no mês de maio. As datas são: 8/5 no Rio de Janeiro, 9/5 em Goiânia, 11/5 em São Paulo e 12/5 em Porto Alegre. Mais informações no site: www.mainstagesp.com.br

Essa entrevista também está na nova edição impressa da poeira Zine, já disponível em nosso site: www.poeirazine.com.br

pZ Trips 2013

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Esta semana a poeira Zine parte para mais uma missão internacional.

Vamos cobrir, em primeira mão, o show do THE WHO em Nova York, que acontece nessa próxima quinta-feira.

Fique ligado e siga a pZ pelas redes sociais para saber mais sobre esse grande show que deve pintar pelo Brasil no segundo semestre.

Além do The Who, a poeira Zine cobre também o início da temporada anual do Allman Brothers Band no Beacon Theater, também em Nova York.

Mais notícias em breve…

Dez anos de poeira Zine!

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Dia 14 de fevereiro de 2003. Para muitos fãs brasileiros do Status Quo, esse foi “o” dia. Foi quando a legendária banda de Francis Rossi e Rick Parfitt aportou pela primeira (e até agora única) vez em São Paulo. A energia era contagiante. Fãs vieram de diversos estados brasileiros para assistir ao grupo ao vivo.

Um encontro promovido pelo fã clube brasileiro do Quo, no dia anterior, já havia sido uma festa. Montamos um grupo improvisado, um tributo, e tocamos noite adentro alguns dos grandes clássicos da banda. Lembro de tocar guitarra na ocasião e meu amigo Ricardo Alpendre ter cuidado dos vocais.

No dia seguinte, a aproximação da hora do show me deixava ansioso, algo tão incrível quanto o que estava por acontecer: o lançamento do número zero da publicação independente que eu havia criado, a poeira Zine. Aquele era “o” dia pra mim também.

Através do fã clube, animado com o lançamento de uma publicação trazendo a história do Status Quo, visitamos o camarim do grupo. Entregar pessoalmente a pZ nas mãos de Francis Rossi e Rick Parfitt foi algo que eu não esperava. Lançar um zine e logo de cara mostrar o meu trabalho aos protagonistas daquela edição? Era demais pro coração. O show foi fantástico e a resenha completa foi depois publicada no #1 da pZ.

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Nas fotos acima: Bento Araujo entregando o número zero da poeira Zine à dupla de frente do Status Quo: Rick Parfitt e Francis Rossi. Credicard Hall, São Paulo, 14/2/2003

A concepção da poeira Zine aconteceu na verdade no ano de 2002, quando eu trabalhava naquela que foi uma das grandes lojas de discos de São Paulo, a Nuvem Nove, de propriedade do grande José Damiano, que hoje participa do nosso poeiraCast semanal. Na metade daquele ano, eu comprei o meu primeiro computador, que àquela altura era algo com preço nada “popular”. José e sua esposa, Júlia, me emprestaram o dinheiro para aquela pequena façanha, a maior quantia que eu já havia gasto então com alguma coisa na vida.

Na Nuvem Nove eu atendia pessoas de todo tipo, com os gostos musicais mais variados possíveis. Além de ser uma ótima escola, me especializei em atender o público ligado em rock dos anos 1960 e 1970. Numa época onde a internet ainda não havia explodido, eu dava dicas sobre as discografias das bandas, além de indicar os meus álbuns favoritos e também aproveitar para deixar a minha coleção em dia (a seção de LPs da Nuvem era um arraso, um ótimo acervo a preços incríveis).

Com a criação da primeira rádio “classic rock” de SP, a Kiss FM, percebi que mais e mais garotos e garotas vinham me perguntar sobre bandas e artistas como Lynyrd Skynyrd, Faces, Focus, Steppenwolf, Free, Grand Funk, Thin Lizzy, The Guess Who, Rory Gallagher, Allman Brothers Band, Traffic etc.

Falando diariamente sobre esses e tantos outros nomes, pensei comigo mesmo: “E se eu colocar todas essas histórias no papel? Tipo criar um fanzine pra esse pessoal ler?”. Eu havia cursado faculdade de jornalismo, mas poucos sabiam que, além de falar pra caramba, eu também apreciava escrever sobre aquele amplo universo.

Percebi que, nas bancas, a carência para esse tipo de publicação era enorme. Apenas a música pop e o heavy metal tinham vez. Ninguém tinha coragem para lançar algo contando histórias daqueles nomes esquecidos dos anos 1960 e 1970.

Minha ideia original foi criar basicamente a publicação que eu gostaria de ter para ler. Como a grana era curta, teria que ser um fanzine, algumas poucas páginas xerocadas e grampeadas na raça.

Passei então a me dedicar a um zine imaginário, ainda sem nome, para ser distribuído, de início, apenas aos clientes da loja. Com conexão discada, e sem a menor grana, foram madrugadas e madrugadas em claro: pesquisando e bolando um formato. Livros e revistas por todo lado no meu quarto. Eu tinha pressa. A ideia virou um desafio, uma questão de honra, ainda mais para um garoto como eu, que na época de colégio, ficava no fundo da sala criando resenhas imaginárias de álbuns de Scorpions, Ozzy, Maiden, Saxon, AC/DC, Whitesnake, Sabbath, Van Halen, Kiss, Purple, Led e Judas Priest. Por anos, o meu sonho era escrever na Rock Brigade. Sonho que depois realizei, como muitos outros, graças à pZ.

A ideia foi tomando formato e, sem dificuldade, pensei num nome e num logo simples: poeira Zine. “Poeira” porque meu lance seria escrever sobre sons do passado que nunca tiveram vez na imprensa nacional. “Zine” porque seria um fanzine. Tudo em arial black chapado, “p” em caixa baixa e o “Z” em caixa alta, só pra ganhar estilo.

Não muito depois, eu já havia bolado as pautas e escrito tudo para o número zero. O Status Quo tocaria no Brasil pela primeira vez, então a capa e o texto principal da edição já estavam obviamente escolhidos. Uma outra matéria “mapearia”, por território, as bandas de garagem norte-americanas dos anos 60. Os Stones estavam relançando parte de seu catálogo em CD e muita gente tinha dúvidas sobre esses relançamentos, então fez sentido escrever sobre isso também. Zappa, Thin Lizzy, Dr. Feelgood, MC5, Dust, Eumir Deodato, The Zombies, Big Star, The Stooges e Moby Grape também marcaram presença. O próximo passo foi imprimir um “boneco” caseiro da futura publicação e sair mostrando por aí, vendendo pequenas cotas de publicidade para levantar o valor suficiente para pagar a xerox.

Em dezembro de 2002, eu deixei a Nuvem Nove para me dedicar em tempo integral ao novo projeto. José e Julia apoiaram completamente a minha empreitada, assim como os muitos jornalistas que me conheceram na Nuvem Nove. Impossível não lembrar também do apoio de Dna. Carmen, minha mãe, que sempre me apoiou em todas as minhas escolhas e embrulhou para o correio, com aquele carinho materno, milhares e milhares de exemplares por anos, assim como o apoio da, na época minha namorada, e hoje minha esposa, Carolina, que chegou a me ameçar: “Vou viajar, mas quando eu voltar eu quero ver a poeira Zine terminada, ok?”. A Carol me ajudou também na parte gráfica. Foi ela que fez a capa do número zero e de muitas outras edições nos primeiros anos da pZ. A diagramação, eu comecei fazer por pura necessidade. Não tinha como pagar alguém para fazê-la, então o jeito foi meter a mão na massa e, na época, praticamente duelar com um programa de edição arcaico e medonho, o Pagemaker. Dez anos atrás o In Design ainda não havia se popularizado.

Saí com o “boneco” da pZ debaixo do braço, oferecendo cotas de publicidade para lojistas, que, ao entrarem com o anúncio, ganhariam automaticamente alguns exemplares para revender e recuperar parte do investimento.

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Na foto acima: Bento Araujo divulgando o número zero da poeira Zine numa feira de LPs no Conjunto Nacional, na Av. Paulista, São Paulo/SP.

A reação foi fenomenal desde o início. Ray e Rogério, da finada loja Medusa, na Galeria do Rock aqui de Sampa, foram outros entusiastas do projeto. Tanto que fizeram dois anúncios no número zero! Lembro nitidamente de Ray, hoje proprietário da loja Blue Sonic, me ajudando na venda dos anúncios; me levando de loja em loja na Galeria e me apresentando aos lojistas que eu ainda não conhecia. Inesquecível a reação de meu amigo Luiz Calanca, da Baratos Afins, que quando viu que o Status Quo estaria na capa, topou a parceria de imediato. Além de Ray e Calanca, outros lojistas também embarcaram rapidamente no projeto e estão comigo até hoje, dez anos depois! São eles: Nivaldo (Stand Up), João Pacheco/Captain Trips e Diaz (da feira da Benedito Calixto), Helton (Dunno) e Normando (Confeitaria São Gabriel).

Dentre lojas e marcas que não existem mais e outras que estão ainda na ativa e que ajudaram muito a pZ nesse número de estreia, tivemos a Nuvem Nove, Jardim Elétrico (dos irmãos Ricardo e Sérgio Alpendre – hoje no poeiraCast), Aqualung, Relics, Metal, Marche, Freenote, Canal, Cosmic, Rocks Off e Laticínios Nossa Toca.

A aceitação foi tamanha que eu levantei um valor suficiente para rodar dois mil exemplares da poeira Zine numa gráfica, com acabamento caprichado e capa em papel couchê. Foi a glória.

Depois do lançamento, no show do Status Quo, era só começar a pensar no número seguinte.

Na saída do show do Status Quo em São Paulo, no Credicard Hall, lembro de contar com Ricardo Alpendre e Ray, na chuva, ali comigo, vendendo a pZ para os fãs que saíam embasbacados do show. Muitos queriam levar aquela nova publicação com a história do Quo pra ler, reler e guardar.

De lá pra cá, eu não parei mais. Tudo isso graças a você, leitor, anunciante e revendedor, que me acompanha há todos esses anos, ou que está conhecendo a pZ exatamente agora. A pZ cresceu, evoluiu, mas permanece fiel aos seus princípios e tudo isso é extremamente gratificante.

Como dizia Frank Zappa: “Music is the best”. É por isso que estamos juntos nessa.

(Bento Araujo)

Camel – extras pZ46

Por questões de espaço alguns álbuns do Camel ficaram de fora da “Discografia Básica” contida na edição atual da pZ (#46).

Confira abaixo as resenhas de alguns discos que ficaram de fora da versão impressa.

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The Single Factor (maio de 1982, Gamma/Decca) **

Semelhanças com o Alan Parsons Project à parte, principalmente na abertura com “No Easy Answer”, The Single Factor trazia um Camel mais fragilizado que nunca, criando canções curtas e atraentes ao rádio, tudo a pedido da gravadora. O título e a capa deixavam claro, Latimer estava sozinho na jornada e parecia mais perdido que nunca, mesmo com Peter Bardens dando uma canja em “Sasquatch” e com temas interessantes e bem construídos como “Heroes” e as instrumentais “Selva” e “End Peace”.

Stationary Traveller (agosto de 1984, Decca) **

Latimer sempre curtiu canções instrumentais. Neste álbum aparecem quatro delas, e são geralmente nesses temas que o bom gosto do guitarrista sobressai. Como todo álbum do Camel, tem seus momentos, mas alguns fãs não toleram Stationary Traveller pelos seus timbres oitentistas e suas melodias melosas. O último trabalho de estúdio dos anos 80 da banda é conceitual e foi baseado nas letras da esposa de Latimer, Susan Hoover, e seu interesse em histórias relacionadas ao muro de Berlim.

Pressure Points: Live in Concert (1985) ***

O segundo registro ao vivo do grupo prioriza o material lançado no final dos 70s e início dos 80s, além de várias canções do então novo álbum de estúdio da banda, Stationary Traveller. O show aconteceu no Hammersmith Odeon, em 1984, e trouxe Bardens como convidado em duas peças musicais de Snow Goose. O vídeo de mesmo nome é também recomendável e mostra que Latimer tem um estilo único de tocar sua guitarra.

Dust And Dreams (1991, Camel Productions) **1/2

Depois de anos de silêncio total, Latimer voltou com seu Camel e lançou mais um trabalho conceitual. Revitalizado e com liberdade de expressão, pois agora lançava seu material por conta própria, Latimer brilhou como nos bons tempos, com sua guitarra impecável, como na climática e até meio bluesy “Mother Road”. Diferente do Camel dos anos 70, mas recomendável para quem curtiu a fase mais pop da banda nos anos 80.

A Nod and a Wink (julho de 2002, Camel Productions) ***

O último álbum de estúdio lançado pelo Camel é leve, contemplativo, uma apropriada homenagem de Latimer a seu comparsa Peter Bardens, morto no mesmo ano de lançamento do disco. O tema mais forte do album é justamente sua faixa de encerramento, “For Today”, baseada nos atentados terroristas do 11 de setembro. Traz os vocais graves de Latimer e sua guitarra certeira. Teclados e flauta aparecem com maior força em A Nod and a Wink do que em Rajaz. Se for esse o derradeiro trabalho do grupo, seremos eternamente privilegiados.

Escolha a capa da próxima pZ!

O próximo número da pZ irá marcar o nosso décimo aniversário e será lançado em fevereiro de 2013. Para comemorar essa data tão especial pra gente, você é que irá escolher a capa dessa nossa próxima edição! Basta votar abaixo.

Mande a sua pergunta para Greg Lake!

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Participe da seção Perguntas e Respostas da poeira Zine

São questões direcionadas a um determinado músico e dessa vez teremos GREG LAKE (Emerson Lake & Palmer, King Crimson etc.).

Agora o mais bacana de tudo é que você é que irá fazer a pergunta!

Basta enviar sua questão para o email contato@poeirazine.com.br

As melhores questões serão encaminhadas para o músico e publicadas na próxima edição, com o devido crédito ao autor.

O prazo para envio é até o dia 23 de dezembro, portanto mãos à obra!

 

Jack Bruce no Brasil!

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